Edições Natureza © - Todos os direitos reservados. 2.003 - 2.011
|
|
Digamos ainda que as compostas são cosmopolitas em grande parte, porque inventaram o pára-quedas e as aeronaves antes do bípede humano. As suas sementes, na maioria das espécies, são providas de papos filamentosos que funcionam como pára-quedas e aparelhos de transporte aéreo. A carqueja possui inúmeros sinônimos dentro dos quais destacam-se: carqueja-amarga, bacanta, carqueja-amargosa, bacórida, carque, cacália-amarga, quina-de-condamine, vassoura, vassoura-de-botão, tiririca-de-babado. A carqueja é uma planta que há muito tempo compõe o arsenal terapêutico, sendo conhecida como carqueja amarga. É originária da América do Sul, possivelmente do Brasil e cresce em terras secas, pedregosas à beira de estradas, também em lugares nos lugares úmidos, ribanceira de rios e regiões de campos. Todas elas são arbustos de altura variável por volta de uma metro, caule lenhoso, e quase sem folhas. Apresentam flores amarelas ou brancas. Brota espontaneamente nos pastos. Para que se mantenha perene, cortam-se apenas as hastes, deixando as raízes intactas – para desta forma ela rebrotar com facilidade. É também chamada de carqueja - amarga e vassoura. Cresce da Bahia ao Rio grande do Sul. Entre os
habitantes do campo e das cidades não há quem a dispense para debelar um
desarranjo do estômago ou qualquer perturbação para a qual seja
indicada. Apesar de ser uma planta de uso popular bastante disseminado em
toda América do Sul, não existem referências ao seu emprego pelas populações
nativas. Segundo Barros (1999), seu uso mágico está relacionado aos orixás
Oxossi e Oxoguiã (Oxalá jovem), de natureza masculina e pertencendo ao elemento
ar. Relata que é considerada planta de “grande poder”. Suas raras folhas são
utilizadas em banhos, especialmente para melhorar a “sorte”. Braecharis
articulata Pers, também comum no Brasil meridional, que é uma daquelas que o
povo chama "Carqueja" e que se caracterizam pela ausência de folhas, apenas
caules com estipulas decorrentes por eles. A espécie referida é uma das que têm
aspecto mais seco. Ela é muito ramificada, e recebe aqui e na Argentina, o mesmo
nome vulgar. O Dr Adolpho Doering, publicou estudos sob o título "Apuntes
sobre la Composicion Química de algunas Plantas Tóxicas", no ano de 1915, no
"Boletin de la Acad. Nac. de Ciencias de Córdoba" Vol xx págs, 295-350. Ele
indicou como componentes químicos: "Ácidos Crisofânico", "Saponina", e
"Absintina". Ao lado do primeiro refere a "Crisosaponina" e ao lado da segunda a
"Glauco-saponina". Considerando que a nossa flora indígena tem maior número
de espécies de Baccharis do que qualquer outro país, pois cabem-lhe, das 300
referidas, para todo o mundo mais do que 50%, e sendo aqui comuns,
especialmente, as espécies afins da B.articulata Pers. citada supra, isto é as
conhecidas como "Carqueja", é de se esperar que haja muitas tóxicas entre
elas. Erva amargo resinoso aromática, que bem substituem a losna. Deve-se
administrar o extrato na dispepsia, debilidade intestinal ou geral, anemia
depois da perda de sangue; o modo de administração é em pílulas com o amarelo da
casca de laranja. "Esta planta amarga pode substituir muitas drogas deste gênero, vindas da Europa. Nasce em terras estéreis, e tem grande fama como tônico e anti-febril, também contra a debilidade do estômago, diarréia e afecções do fígado; recomendamos aos médicos o extrato de tintura, que é solúvel em água. O extrato dá-se na dose de 2 a 4 gramas. Mecanismo de ação da carqueja Princípios Ativos: óleo essencial, flavonóides, saponinas e
resinas. Alonso (1998) cita que foram encontradas nas diferentes espécies de carqueja
substâncias apresentando as seguintes atividades: antiulcerosa, antibacteriana,
hepatoprotetora, hipoglicememiante, diurética, além de inibir o crescimento dos
microorganismos responsáveis pela doença de Chagas e pela esquistossomose.
Encontra-se em estudo para o tratamento da leucemia, pois possui também
atividade antineoplásica. No mercado farmacêutico, encontram-se preparações in natura ou sob a forma de Extratos. Com a finalidade de estabelecer parâmetros de controle de qualidade para a produção de Extratos de Carqueja, foram testados os seguintes métodos: Resíduo seco, Índice de Amargor, Índice de Espuma. Para a caracterização do Extrato Referência (Turbolizado) foram empregados : Cromatografia em Camada delgada, PH, Teor Alcoólico, Teste de Saponificação. Para a comparação entre a extração por Turbolização e por Decocção foram empregados: Índice de Amargor, Resíduo Seco, Índice de Espuma. A Turbolização demonstrou ser mais eficaz do que a Decocção. Indicações do uso da Carqueja É indicada em casos de gastrite, má digestão, azia, cálculos biliares e
constipação (prisão de ventre). Afecções gástricas e intestinais, dispepsias,
afecções hepáticas e biliares (icterícea, cálculos biliares), diabetes, afecções
das vias urinárias, verminose, afecções febris, enfermidades do baço. Composição físico-químico da Carqueja
Contra-indicações Não há referência de contra-indicações na literatura pesquisada. Em relação a
gestação e lactação apesar de não existirem contra-indicações na literatura, não
se aconselha seu uso sem orientação médica.
|
|