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   Mamão - Carica Papaya

 
 

 

Sinonímia popular

Mamão, Mamão-Papaia, Mamoeiro, Papaia, Papaya, Mamão Formosa,ababaia,papaeira, pinoguaçu 

Parte usada

Fruto, latex, caule, sementes e raiz

Propriedades terapêuticas

Antiparasitário, antitumor, emenagogo, hemolítico, tônico estomacal,hipoglicêmico, vermífugo, vulnerário digestivo, antiinflamatório, calmante, diurético, laxante, emoliente,refrescante

Indicações terapêuticas

Gastrite, tônico para os nervos, hemorragias renais, eczemas,verrugas, úlceras, rouquidão, tosse, bronquite, gripe, diabete, asma, icterícia, depurativo do sangue, alergias, amenorréia, constipação, dismenorréia, dispepsia, febre, feridas, giardiase, indigestão, lombriga, parasitas, tumores

 

A história do mamão no continente americano remonta a Ponce de Leon, que, depois de ter desembarcado nas praias da Flórida, escreveu ao rei de Espanha, contando sua jornada em busca da fonte de juventude. Disse, na sua carta, o seguinte:

 

“Os índios preparam a carne para cozinhar envolvendo-a, muitas horas antes de levá-la ao fogo, com folhas de uma árvore que produz um delicioso melão, o qual se come cru, tendo sabor delicioso. E esse processo torna a carne tão tenra que suas fibras se separam facilmente com os dedos”.

 

O mamão é uma das melhores frutas do mundo, tanto pelo seu valor nutritivo, como pelo seu poder medicinal. Um dos seus mais importantes princípios e a papaína, reconhecida como superior à pepsina e muito usada para prestar alívio nos casos de indi­gestão aguda. Também tem efeitos benéficos sobre os tecidos vivos.

O leite de mamão está tendo tantas e tão variadas aplicações nos Estados Unidos que já existe nesse país uma florescente indústria destinada a colhê-lo, manipulá-lo e vendê-lo enlatado.

 

COMPOSIÇÃO QUÍMICA: Calorias, água, hidratos de carbono, proteínas, gorduras, sais, vitaminas A, B1, B2, B5, C, fósforo, cálcio e ferro, resina, albumina, açúcar incristalizável, papaína, óleo, ácido málico, oxálico e extrato.

 

USO MEDICINAL: Observado no microscópio, o mamão revela possuir grandes glóbulos de gordura.

O exame microscópico mostra também que o mamão encerra um fermento solúvel, a papaína mais abundante no fruto verde do que no maduro. Daí a prática, aliás muito comum, de riscar o fruto longitudinalmente, para apressar-lhe a maturação, pois as incisões eliminam grande porção do látex nele contido.

 

Referindo-se à papaína, diz o Dr. L. Beille:

“Esta diástase ataca energicamente a fibrina, dissolvendo-a como a pepsina, mas ela se distingue desta última pelo fato de que sua ação pode realizar-se não somente num meio ligeiramente ácido, mas também num meio neutro ou alcalino”.

 

Deitando-se um mamão maduro nágua, de modo a desfazer-se, se obtém uma solução mucilaginosa, a qual, filtrada, precipita uma substância que produz uma goma amarela, sem gosto e sem cheiro especial, e que, em presença dos ácidos diluídos, se transforma em glicose.

 

Fruto

 

O mamão maduro é digestivo, diurético, emoliente, laxante, refrescante, etc.

Sendo receitado pelos médicos nas doenças do estômago e dos intestinos.

 

O mamão comido em jejum, de manhã, é eficaz contra a diabete, a asma e a icterícia. É também bom depurativo do sangue e estomacal proveitoso...

 

O Dr. Domingos D’Ambrósio afirma que o mamão "é diurético, laxante e oxidante, particularmente quando se come com as sementes, que contêm a papaína, fac-simile da pepsina”.

 

“O mamão é muito alimentício”, diz o Dr. Deodato de Morais “sendo receitado pelos médicos nas doenças do estômago e dos intestinos.

 

O Dr. John Harvey Kellogg proclamou o mamão “o mais poderoso digestivo que se conhece”, recomendando entusiasticamente seu uso a todos os que sofriam de dificuldades digestivas, pois o estômago sensível, que não pode tolerar comida, encontra nessa fruta um alimento delicioso e calmante, capaz de dar ao referido órgão o descanso necessário ao processo curativo.

 

O Bureau of Plant Industry, do Departamento de Agricultura dos EEUU, publicou: “O mamão possui peculiares e valiosas propriedades digestivas que o tornam de grande valor na dieta”. E a experiência prova que a papaína, fermento solúvel fornecido pelo mamão, é capaz de digerir rapidamente duzentas vezes seu próprio peso em proteínas.

 

“O mamão, alimentício, abundante de substância mucilaginosa e de fermentos digestivos, é muito bom para aconselhar aos dispépticos”, afirma o Dr. Alberto Seabra.

 

O   Dr. Raul Herreaux afirma:

 

“Para todas as enfermidades do estômago e intestinos, o mamão é sem rival. Graças ao seu conteúdo em papaína, um fermento muito ativo, que, na minha opinião, é muito superior à pepsina animal, é (o mamão) uma grande dádiva da Natureza à humanidade... Em casos severos de indigestão e gastrite, onde a assimilação de alimentos causa grande angústia, eu prescrevia uma dieta constante exclusivamente de mamão por vários dias, e verifiquei que era o bastante para restaurar a saúde ao paciente... Também contra a prisão de ventre crônica, achei que o mamão é o remédio mais eficaz".

 

O Dr. Teófilo L. Ochoa ensina:

 

“O mamão comido em jejum, de manhã, é eficaz contra a diabete, a asma e a icterícia. É também bom depurativo do sangue e estomacal proveitoso...

 

“A papaína (fermento do mamão) tem sido aclamada como uma valiosa ajuda nos casos crônicos dos males do estômago, putrefação intestinal, prisão de ventre, flatulência.

 

“Na China ... a polpa é secada e empregada para reduzir inchações e inflamações dos pés, e também para combater o reumatismo, caso em que a tomam em cozimento.

 

“Nas Antilhas prepara-se um xarope do suco da fruta madura, cozida ao forno com bastante açúcar. Esse xarope é eficaz contra a tosse dos tuberculosos do último grau, e, em geral, também contra todas as enfermidades do peito. Tomam-se várias colheradas por dia.

 

“O mamão maduro, esfregado sobre a pele, tira as manchas, suaviza a cútis áspera e elimina as rugas produzidas pela idade. As mulheres nativas consideram o suco de mamão como seu melhor cosmético.

 

“O mamão miúdo e ácido emprega-se aberto, em forma de cataplasmas, nas anginas”.

O mamão maduro é laxante, diurético, emoliente e o mais poderoso digestivo que existe.

 

Látex

 

O leite que se obtém ao cortar o mamão, é tido como excelente antelmíntico, tendo também outras aplicações.

 

Prescreve o Dr. Teófilo L. Ochoa:

 

“O suco leitoso do fruto tem sido utilizado para dissolver as falsas membranas da garganta em casos de difteria. Desse efeito do látex, faz muitos anos, já se havia convencido o Dr. Manyan, de Palm Beach. Tem sido usado igualmente contra os calos e as verrugas.

 

“Esse suco também se emprega como vermífugo, ministrando-se meia onça (uns 15 gramas) de suco diluído em meia xícara de água adoçada com mel. (Essa dose é para crianças de 2 a 7 anos). Meia hora depois, dá-se um purgante, preferivelmente de óleo de rícino com um pouco de suco de limão. Para crianças maiores aumenta-se a dose do suco leitoso, e, segundo o caso, pode-se também ministrar, no mesmo dia, esse suco simplesmente diluído em água quente, em forma de enema”.

 

Flores do mamoeiro macho

 

As flores têm grande aplicação como remédio para combater a rouquidão, a tosse, a bronquite, a traqueíte, a laringite. Coloca-se um punhado de flores, com um pouco de mel, numa vasilha resistente à água fervendo. Deita-se por cima um copo de água a ferver. Tapa-se bem. Deixa-se esfriar. Toma-se às colheradas de hora em hora.

 

“A infusão das flores do mamoeiro macho, assim preparada, constitui um bom xarope para ser usado nos casos de tosse e influenza”, diz o Dr. Lourenço Granato.

 

O Dr. Monteiro da Silva ensina que esse mesmo xarope é um remédio para as indisposições gástricas oriundas dos resfriados e afirma que pode ser usado contra a bronquite das crianças.

 

Sementes

 

Muitos sabem que a semente do mamão é um bom vermífugo, mas ignoram que ela tem igualmente outras aplicações na medicina doméstica.

 

“Afirma-se”, diz o Dr. Teófilo L. Ochoa, “que as sementes comidas em certa quantidade são eficazes contra o câncer e proveitosas contra a tuberculose.

 

“Umas 10 ou 15 sementes frescas, bem mastigadas, favorecem eficazmente a excreção da bílis, atuam contra as enfermidades do fígado e limpam o estômago.

 

“As sementes secas e moídas, em cozimento, constituem um bom carminativo ..., um magnífico emenagogo e um vermífugo de primeira ordem.

 

“Contra os vermes intestinais emprega-se de uma só vez, uma colherinha ou mais, de sementes pulverizadas, misturadas com mel de abelhas. Repete-se a dose duas ou três vezes ao dia”.

 

Raízes

 

As raízes do mamoeiro, em decocção, são um tônico para os nervos e um remédio para as hemorragias renais.

 

Também possuem propriedades antelmínticas. Cozinha-se um punhado em uma ou duas xícaras de água, adoça-se com mel, e toma-se durante o dia.

 

Folhas

 

As folhas do mamoeiro têm aplicação no preparo de um chá digestivo, que pode ser dado livremente as crianças, visto ser inofensivo, não contendo teína ou mateina, como o chá-da-ribeira ou o chá-mate.

 

Nos Estados Unidos, as folhas verdes do mamoeiro costumam ser secadas e reduzidas a pó, e empregadas na confecção de remédios digestivos.

 

Na Venezuela, as folhas são usadas, em decocção, com ótimos resultados, contra os vermes intestinais.

 

O suco leitoso extraído das folhas encerra excelentes propriedades vermífugas, e, segundo o Dr. Vinson, é o antelmíntico mais enérgico que se conhece. Usa-se diluído em água.

 

Esse mesmo suco leitoso das folhas tem também utilidades terapêuticas como digestivo e vulnerário. Em diversos lugares, os nativos o usam para tratar eczemas, verrugas, úlceras, chagas.

 

Em março de 2004, o pesquisador Carlos Edmundo Salas Bravo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), teve, no Chile, mais uma prova de que está no caminho certo em suas pesquisas com a planta Carica candamarcensis, uma espécie de mamoeiro nativo da costa oeste da América do Sul. Ele acompanhou os resultados de uma pomada feita com o látex do pequeno mamão que cicatrizou a pele queimada de uma paciente diabética chilena que já havia tentado sem sucesso todos os tratamentos convencionais. Salas, chileno de nascimento, começou a pesquisar as propriedades cicatrizantes da planta no final da década de 1980. De lá para cá, juntaram-se a ele a pesquisadora Míriam Teresa Paz Lopes, também da UFMG, e o farmacêutico chileno Abrahan Schnaiderman.

 

Os três pesquisadores entraram em 2002 com um pedido de registro de patente nos Estados Unidos das propriedades terapêuticas das substâncias existentes no látex do mamoeiro. Os princípios ativos da planta estão em algumas proteases, um tipo de proteína que tem a função de quebrar outras proteínas com o objetivo de ativá-las ou desativá-las, favorecendo, nesses casos, os mecanismos de proliferação celular.

 

O produto já foi testado em animais. Agora os pesquisadores esperam que alguma instituição ou empresa farmacêutica se interesse pela patente e em aplicar os testes em humanos. Os estudos mostram que as substâncias encontradas no látex do fruto da C. candamarcensis têm potencial de cura para diferentes tipos de feridas cutâneas e podem ser extremamente eficazes nas crônicas ou de difícil cicatrização, como aquelas comuns em portadores de diabetes, escaras (feridas que aparecem em pacientes que permanecem acamados ou na mesma posição por longos períodos) e as provocadas por queimaduras.

 

Lesões gástricas - As proteases também foram testadas em lesões gástricas e demonstraram mais eficácia contra as úlceras do que o Omeprazol e a Ranitidina, medicamentos utilizados para tratamento desse problema e das gastrites. Nas feridas da pele, os estudos foram feitos em camundongos Hairless (sem pêlos), e nos ferimentos gástricos, os ensaios foram feitos com ratos. Em humanos, por enquanto, os testes são isolados, e realizados apenas em casos como o da chilena que autorizou o uso da substância em suas feridas.

 

O interesse pelo alto teor de proteases presentes no látex deC. candamarcensis fez Salas, com doutorado em Bioquímica pelas Universidades do Chile e de Michigan, nos Estados Unidos, iniciar os estudos com o fruto em 1988. A presença dessas substâncias no mamão - conhecido como papaya no Chile - impede o consumo in natura como o do nosso papaia (Carica papaya) e o torna indigesto se não for cozido. Na continuação dos estudos, em 1991, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Salas conheceu a biomédica Míriam Lopes, professora no Laboratório de Oncologia Experimental que se dedicava às pesquisas na área de desenvolvimento celular, em especial na proliferação de células tumorais. Eles acabaram se casando e, em 1992, transferiram-se para a UFMG, em Belo Horizonte, onde são professores do Instituto de Ciências Biológicas (ICB).

 

Com o desenvolvimento dos estudos com as proteases, os pesquisadores passaram a estudar a ação do látex do C. candamarcensis em feridas de animais, iniciando os ensaios em camundongos. "Passamos a observar como as enzimas agiam sobre as células de mamíferos porque já tínhamos observado a coagulação que ocorre no fruto quando ele sofre um dano", conta Míriam.

 

Nos cerca de 50 camundongos com ferimentos na pele, eles observaram que frações desse látex promoviam a cicatrização e incentivavam a divisão celular nas regiões vizinhas não atingidas pela ferida, além de promover a limpeza do tecido lesionado. Os pesquisadores já haviam verificado em experimentos laboratoriais que as substâncias presentes no látex estimulam a proliferação de fibroblastos (tecido mais profundo da pele) e de células epiteliais (mais superficiais), fundamentais no processo de cicatrização.

 

Míriam explica que o processo de cicatrização de um ferimento ocorre quando o tecido atingido é substituído por outro. Parece simples, mas só as pessoas portadoras de feridas crônicas ou de difícil cicatrização sabem o sacrifício a que são submetidas. Normalmente, as substâncias cicatrizantes atuam na limpeza do ferimento, favorecendo o trabalho de reprodução de novas células pelo próprio organismo, que nem sempre consegue fazê-lo. "No caso da cicatrização com a protease da C. candamarcensis, o processo é mais rápido que o convencional, mas o mais importante é a boa qualidade da reconstrução do tecido lesionado", diz.

 

Estudo toxicológico - A pesquisa foi feita quase sem apoio financeiro de agências de fomento à pesquisa científica. "Estamos levando este projeto na velocidade em que temos condições. Na fase inicial, entre 1994 e 1996, tivemos apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Grande parte do projeto foi realizada com recursos existentes nos laboratórios da UFMG", explica Míriam. Além de Schnaiderman, o parceiro chileno, há outro trabalhando na Espanha. O pesquisador Arturo Anadón, da Universidade Complutense de Madri, está realizando estudos toxicológicos em animais.

 

A expectativa de produção do medicamento no Brasil esbarra na dificuldade de cultivo da planta, que não é típica do clima brasileiro. "A solução seria encontrar um microclima adequado ao cultivo da C. candamarcensis ou produzir a substância em laboratório, por meio da clonagem e expressão da protease em bactérias", explica Míriam. Os pesquisadores estão agora na expectativa de dar continuidade ao trabalho, especialmente a realização dos testes clínicos, em humanos. "Estamos abertos para negociações, inclusive com laboratórios farmacêuticos, porque um medicamento com esse potencial certamente terá excelente aceitação no mercado", conclui Salas.

 

Valor alimentício

 

O mamão, quando maduro, é uma fruta saborosa e nutritiva.

O   fruto maduro, se é algo amargo, isto é, se contém doses apreciáveis de papaína, possui boas qualidades digestivas.

 

O mamão é um alimento aperiente e ideal para o desjejum, pois satisfaz as exigências nutrimentais do organismo, de manhã, e limpa o aparelho digestivo. Contribui, além disso, para a manutenção do equilíbrio ácido-alcalino do corpo, e, nesta sua função, sobrepuja o próprio melão, que é considerado um dos melhores álcali-formadores.

 

O mamão presta-se para admiráveis combinações com outras frutas - figos, ameixas, uvas - frescas ou secas, podendo ser comido ao natural ou com mel de abelhas.

 

Quando o mamão não é muito doce, ou, mesmo, quando é pronunciadamente amargo, não é necessário desprezá-lo: pode-se aproveitá-lo para o liquidificador, em mistura com outras frutas e um pouco de mel, no preparo de uma saudável “vitamina”.

 

O mamão não deve faltar na alimentação diária das crianças, pois que lhes é muito benéfico para a saúde e lhes favorece o crescimento.

 

Na confecção de doces, geléias, empadas, xaropes, ou outras guloseimas, o mamão perde grande parte dos seus sais e das suas vitaminas, pelo que se deve comê-lo, sempre que possível, cru.

 

O mamão verde dá um doce que toda dona de casa, sem dúvida, já experimentou fazer, mas o que nem todas sabem é que, em diversos lugares, o mamão verde é usado cozido, com sal, azeite, etc., como abóbora.

 

O centro meduloso do tronco do mamoeiro, raspado e secado, é uma guloseima semelhante ao coco ralado. Encerra boas propriedades nutritivas. Em alguns lugares é aproveitado no preparo de rapaduras.

 



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