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Os carotenóides são os compostos que dão a vários frutos e vegetais a sua cor amarela ou laranja. O carotenóide mais abundante e mais conhecido é o beta-caroteno. O beta-caroteno é um precursor da vitamina A ou ?provitamina A?, porque a sua actividade como vitamina A ocorre apenas após a sua conversão para retinol no interior do corpo. Uma molécula de beta-caroteno pode ser clivada por uma enzima intestinal específica em duas moléculas de vitamina A. A
vitamina A, também chamada "a vitamina da
vista", foi descoberta pelos gregos, há mais de 2 mil anos. Conquanto não
pudessem identifica-la, e se bem que nem mesmo chegaram a dar-lhe um nome
especial, descobriram-na ao verificar que o fígado dos animais continha alguma
coisa que curava positivamente determinada afecção dos
olhos. Hoje nossos conhecimentos a respeito de tal
substância são muito mais extensos e precisos, pois sabemos que ela também se
encontra no leite e nos ovos, e em tantos outros alimentos que não há desculpa
aceitável para que uma pessoa venha a sofrer carência dessa vitamina, cuja falta
logo se faz sentir pela dificuldade ou pela impossibilidade de ver bem com pouca
luz. Em regra, a vitamina A propriamente dita não
existe nas plantas. Estas fornecem o caroteno, uma provitamina A, que no fígado,
se transforma em vitamina A, pela ação de uma enzima, a carotinase. A vitamina A
confere elementos de defesa contra as infecções; preside ao crescimento;
alimenta a membrana mucosa e os tecidos, dando-lhes resistência às enfermidades;
etc. A vitamina A pode ser considerada a "vitamina da
beleza", pois figura em primeiro plano como agente de defesa orgânica contra as
infecções, protegendo a saúde, que é a condição primordial da beleza. Contribui,
ainda, para o desenvolvimento normal dos dentes e a conservação do esmalte, e
tem que ver com a saúde e o bom estado dos olhos, da pele e dos
cabelos. A falta ou insuficiência de vitamina A perturba o
crescimento do indivíduo, produz secura da pele, da conjuntiva e das glândulas
lacrimais, acarreta moléstias dos olhos (xeroftalmia, cegueira noturna),
predispõe às infecções das vias respiratórias e aos cálculos
renais. A vitamina A é termoestável resistente ao calor
até 100º C), hidroinsolúvel (não solúvel na água), lipossolúvel
(solúvel nas gorduras). Nossa alimentação deve conter pelo menos 5000 U.I.
de vitamina A por dia. Ricas fontes de vitamina A ou provitamina A
(caroteno) são todas as folhas verdes ( quanto mais verde a folha tanto mais
rica em vitamina A) e os vegetais de coloração amarelada (cenoura, abóbora,
etc.), bem como as frutas com essa coloração (damasco, mamão, manga, pêssego,
tangerina). A gema de ovo também, contém vitamina A. A vitamina A existe em tal proporção na salsa, no
brócolis, na cenoura, na escarola, na mostarda (folhas), e noutras verduras, que
numa colherinha de suco dessas hortaliças há cem vezes mais do que num quilo e
meio de carne magra. EstabilidadeA vitamina A é sensível à oxidação pelo ar. A perda de actividade é acelerada pelo calor e pela exposição à luz. A oxidação das gorduras e dos óleos (p.ex. manteiga, margarina, óleos de cozinha) pode destruir as vitaminas lipossolúveis, incluindo a vitamina A. A presença de anti-oxidantes, tais como a vitamina E contribui para a protecção da vitamina A. O beta-caroteno é uma das vitaminas mais estáveis em vegetais. Têm sido documentadas perdas pela cozedura de 25%, mas apenas após fervura por um período comparativamente longo. Principais InteracçõesO estado da vitamina A pode ser influenciado por vários factores, incluindo os seguintes:
FunçõesA vitamina A é essencial para a visão, para um crescimento adequado e para a diferenciação dos tecidos. Visão
CrescimentoA vitamina A tem um papel importante no crescimento normal e no desenvolvimento, bem distinto do seu papel na manutenção da visão. Um dos primeiros sinais de deficiência de vitamina A nos animais é a perda de apetite, acompanhado por um retardarmento do crescimento. Dose Diária Recomendada (DDR)Os seres humanos baseiam-se na dieta alimentar para cobrir as suas necessidades de vitamina A. A Dose Diária Recomendada para os adultos nos EUA é 1000 RE (5000 IU) para os homens e 800 RE (4000 IU) para as mulheres. Durante a gravidez e a amamentação, são recomendadas 200 RE e 400 RE adicionais por dia, respectivamente. Os bebés e crianças, devido ao seu menor tamanho corporal, tem uma DDR inferior à dos adultos. DeficiênciaUm dos sintomas iniciais de deficiência em vitamina A é a cegueira nocturna, ou uma capacidade diminuída para ver na penumbra. A deficiência grave produz cegueira parcial ou total, uma doença chamada xeroftalmia. O surgimento de lesões na pele (hiperqueratose folicular) tem também sido utilizado como um indicador inicial de um estado inadequado de vitamina A. A deficiência em vitamina A é de longe a mais generalizada e a mais grave nas crianças, especialmente nos países pobres. É a principal causa de cegueira na infância e, combinada com outros factores, tais como uma malnutrição proteico-calórica e a crescente ocorrência de infecções, é associada a elevadas taxas de mortalidade infantil. Nas crianças com xeroftalmia são comuns os problemas associados, tais como crescimento sub-desenvolvido, doenças respiratórias, doenças parasitárias e infecciosas. As doenças podem elas próprias induzir a deficiência de vitamina A, mais especificamente as doenças hepáticas e gastro-intestinais, as quais interferem com a absorção e utilização da vitamina A. Acredita-se actualmente que um estado carênciado de vitamina A pode estar também associado ao desenvolvimento do cancro, embora não sejam ainda conhecidos os mecanismos exactos. Utilização TerapêuticaSão distribuídas doses terapêuticas de vitamina A em zonas mundiais específicas, de modo a prevenir a xeroftalmia e tratar aqueles nos quais já tenham surgido os estagios iniciais de cegueira. Dado que a vitamina A pode ser armazenada no fígado, é possível construir uma reserva nas crianças através da administração de doses de elevada potência. A dose terapêutica standard utilizada actualmente para as crianças é de 200.000 IU administradas oralmente em líquido ou em cápsulas, duas a três vezes por ano. A cápsula contém também 40 IU de vitamina E, para facilitar a absorção de vitamina A. A administração de 400.000 IU de vitamina A a crianças com complicações decorrentes do sarampo, mas sem sinais claros de deficiência em vitamina A, diminuiu a mortalidade em cerca de 50% e reduziu significativamente a morbilidade. O intervalo de idades da população alvo para os programas de intervenção de vitamina A é normalmente entre o nascimento e os sete anos de idade. A xeroftalmia é habitualmente uma doença infantil de crianças entre os seis meses e os três anos. Em programas de distribuição periódica regulares, é dada uma semi-dose (100.000 IU) a crianças entre os seis meses e um ano de idade. Descobriu-se que uma única dose de 200.000 IU dada às mães imediatamente após o parto aumenta o conteúdo de vitamina A no leite materno. Quando consideramos a terapia de vitamina A em mulheres a amamentar, é necessária precaução dado que pode ser colocada em risco uma gravidez co-existente. Durante a gravidez não deve ser excedida uma dose diária de 10.000 IU de vitamina A. SegurançaDado que a vitamina A (enquanto retinol) é armazenada no fígado, quantidades elevada tomadas durante um longo período de tempo podem eventualmente exceder a capacidade de armazenamento do fígado, passar para o sangue e provocar efeitos adversos. Existe assim uma preocupação relativa à segurança de ingestão de elevadas doses de vitamina A pré-formada (retinol), especialmente em bebés, crianças e em mulheres em idade fértil. A experiência de campo no que se refere aos programas de intervenção em nutrição em países onde a deficiência de vitamina A é prevalente, indica que doses únicas orais de 200.000 IU em crianças e 400.000 ? 500.000 IU em adultos são seguras. No entanto, deve ser recordado que estas são doses profilácticas, dadas em níveis bastante elevados de modo a preencher reservas físicas diminuídas durante pelo menos seis meses. Em pessoas bem nutridas, a toxicidade da vitamina A pode ocorrer de forma aguda no seguimento de doses muito elevadas (superiores a 500.000 IU) tomadas durante um período de alguns dias, ou como estado crónico no seguimento de doses elevadas (50.000 IU) tomadas durante um longo período de tempo. Geralmente tomas de até 10 vezes a DDR são consideradas seguras. Os níveis actuais de vitamina A em alimentos fortificados são baseados nos níveis da DDR, assegurando que não existe possibilidade razoável de sobredosagem de vitamina A na população. Na esmagadora maioria dos casos, os sinais e os sintomas de toxicidade são reversíveis após a cessação da ingestão de vitamina A. O beta-caroteno é considerada uma forma segura de vitamina A, dado que é convertida pelo corpo apenas à medida que é necessária. O beta-caroteno apresenta um absorção pobre a partir do tracto gastro-intestinal e a sua conversão em retinol torna-se progressivamente menos eficiente à medida que o estado da vitamina A melhora. Ingestões elevadas (superiores a 30mg/dia) de beta-caroteno, podem no entanto resultar numa coloração amarelo-alaranjada da pele (hipercarotenemia), a qual é reversível após a cessação da ingestão do beta-caroteno. SuplementosA vitamina A está disponível em cápsulas de gelatina mole, comprimidos mastigáveis ou efervescentes ou em ampolas. Está também incluída na maioria dos multivitamínicos. HistóriaEmbora se saiba, desde os tempos do antigo Egipto que certos alimentos curavam a cegueira nocturna, a vitamina A em si mesma só foi identificada em 1913. A sua estrutura química foi definida por Paul Karrer em 1931. O professor Karrer recebeu um Prémio Nobel pelo seu trabalho, dado que esta foi a primeira vez que era determinada a estrutura de uma vitamina.
Alimentos ricos em vitamina A
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